Nesta lição, o Andrew bate numa tecla que separa quem “sabe palavras” de quem fala inglês de verdade: não basta conhecer vocabulário — você precisa encaixar as palavras na ordem que o inglês espera.
Muita gente chega num ponto em que:
- já reconhece várias palavras comuns,
- até tem pronúncia razoável,
- mas quando vai falar, monta a frase com a lógica do português.
Resultado: o inglês sai “abrasileirado”. Dá pra entender parcialmente, às vezes. Mas fica travado, pouco natural e, principalmente, irrita mais um nativo do que um sotaque. Sotaque é normal. Ordem errada atrapalha a compreensão e entrega na hora que você está traduzindo “palavra por palavra”.
1) O que é “syntax” na prática?
Syntax é o jeito como uma língua organiza as palavras para formar frases.
Pensa assim:
- Vocabulário = as peças do Lego
- Syntax = o manual de montagem (ou o jeito “normal” de montar)
Se você tem todas as peças, mas monta com as regras erradas, o resultado fica torto.
O ponto central da lição é: línguas não são paralelas.
Você não pode esperar que o inglês funcione como português com palavras diferentes.
E mais: as línguas diferem até em coisas como:
- tamanho médio das palavras,
- tamanho médio das frases,
- e como marcam relações importantes (quem faz a ação, quem recebe, etc.).
2) Por que a ordem das palavras importa tanto?
Porque o inglês usa ordem para marcar relações.
Um exemplo clássico (o Andrew aponta isso):
- ator (quem faz) + verbo + objeto (quem recebe/sofre)
No inglês, essa ordem é muito rígida no básico do dia a dia.
Se você troca a ordem, você pode:
- mudar o sentido,
- criar ambiguidade,
- ou soar como alguém “montando a frase ao vivo”, palavra por palavra.
Comparação simples com português
Em português, a gente ainda consegue “dançar” um pouco com a ordem e sobreviver, porque temos flexões e contexto ajudando.
No inglês, a ordem segura a frase.
3) Um alerta importante: “mas dá pra entender, não dá?”
O Andrew chama isso de “erro triste”: achar que, porque às vezes entendem seu inglês mesmo com ordem errada, então “tá bom”.
Não tá.
Porque:
- impede seu domínio real do inglês,
- impede fluência natural,
- impede as pessoas de apreciarem o que você quer dizer,
- e mantém você dependente de tradução mental.
O objetivo é você abrir a boca e já sair um conjunto pronto (um “chunk”), em vez de fabricar frase “tijolinho por tijolinho”.
4) Como consertar isso: treinar frases prontas (chunks)
A solução que ele sugere é bem prática: treinar frases prontas desde o início.
Não é decorar regra abstrata. É condicionar sua boca e seu ouvido a produzirem o padrão certo automaticamente.
Você não quer:
- “eu… quero… ir… aumentando… enquanto… produzindo… palavra por palavra…”
Você quer falar em blocos. Isso é fluência.
Como treinar na vida real (sem “inventar moda”)
- Pegue frases curtas e comuns.
- Repita em voz alta.
- Troque uma palavra por vez (substituição controlada).
- Treine até sair sem pensar.
Exemplo de treino (modelo):
- I need to buy groceries.
- I need to buy food.
- I need to buy a few things.
- I need to go to the store.
O segredo é: estrutura fixa + troca pequena.
5) Ponto cultural + vocabulário que aparece na aula
Além do bloco de “syntax”, a transcrição puxa exemplos de vocabulário bem cotidiano — e aqui a lição é a mesma: entender o uso real, não traduzir literal.
(a) Grocery store x supermarket
Ele comenta que “supermarket” em inglês tende a soar como um mercado grande, estilo hipermercado.
Já grocery store é o lugar comum onde você compra as coisas do dia a dia (as “compras de casa”).
Em português, a gente chama quase tudo de “supermercado”. Em inglês, o tamanho e o tipo do lugar mudam a palavra.
✅ Frases úteis:
- I’m going to the grocery store.
- I need to buy groceries.
- There’s a supermarket near my house. (se for grande mesmo)
(b) Piece (um pedaço) — uso típico
Piece aparece como “pedaço/parte”, mas com um padrão muito comum:
- a piece of pizza
- a piece of cake
- a piece of paper
- a piece of advice (sim: “advice” é incontável)
Isso é importante porque a sua cabeça em português quer falar “uma informação”, “um conselho”… e no inglês o padrão mais natural muitas vezes é piece of + algo.
(c) Belt
Belt = cinto. Puro e simples — mas serve pra lembrar o básico: vocabulário do corpo/roupa entra em frases com ordem muito fixa:
- He is wearing a belt.
- My belt is black.
(d) Mailbox (caixa de correio)
Ele diferencia “postar no Facebook” de “mailbox” (caixa física de correio). É um exemplo perfeito de falso caminho da tradução.
✅ Frases úteis:
- Check the mailbox.
- I got a letter in the mailbox.
(e) Directions / direction
Aqui a ideia é: direction é “direção”, mas também aparece como instruções de como chegar (pedir informação).
- Can you give me directions?
- What’s the direction to…? (menos comum do que “directions” no plural)
- Read the directions. (instruções de um produto)
(f) Education ≠ “educação” (boas maneiras)
Esse ponto é ouro: em português “educação” pode ser:
- estudo/escolaridade
- boas maneiras (“que pessoa educada”)
Em inglês, education é praticamente só estudo/escolaridade.
Boas maneiras é outra coisa: politeness / manners.
✅ Exemplos:
- He has a good education. (estudou bem)
- He has good manners. (boa educação no sentido de boas maneiras)
- She is polite. (educada, gentil)
Esse tipo de erro é exatamente o que ele critica: o aluno acha que está “falando certo” porque a palavra parece com o português, mas o significado cultural não bate.
6) Como aplicar a Lesson 33 no seu estudo (bem prático)
Aqui vai um plano simples, fiel ao espírito da aula:
Exercício 1 — “ordem automática” (SVO)
Monte 10 frases no padrão:
I + verb + object
- I need groceries.
- I need directions.
- I checked the mailbox.
- I bought a belt.
- I read the directions.
Depois transforme em perguntas:
- Do I need groceries?
- Did I check the mailbox?
- Can I get directions?
Exercício 2 — “chunks de sobrevivência”
Treine como blocos (sem traduzir):
- I’m going to the grocery store.
- Can you give me directions?
- Check the mailbox.
- I need a piece of advice.
- He has good manners.
Exercício 3 — “troca mínima”
Pegue uma frase e troque só um elemento:
- I’m going to the grocery store.
→ I’m going to the supermarket.
→ I’m going to the bank.
→ I’m going to the post office.
Isso treina syntax sem virar gramática pesada.
PDF: Lesson 33 – Lição 33. Se preferir comprar a apostila impressa, clique aqui.
Observação do professor Andrew Abrahamson:
“A maioria das lições pares (2,4,6,8,10,12…) do livro são lições diferentes das demais, pois são todas em português com informações sobre linguística e como aprender um idioma e portanto não têm vídeo-aula correspondente já que o aluno pode simplesmente ler a lição.”
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